segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Cançãozinha....


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Valeu Jack Vasconcelos!

Em 1988 eu estava indo para o navio cerca de 4:30h da manhã. Eu nunca “dava serviço” em final de semana e naquele domingo eu estava chateado e achei melhor ir para bordo e “render o Campanha”!
Sentei num banco da pracinha quase em frente à Duarte de Azevedo e, de repente, vi um fusca em alta velocidade vindo pela Estrada do Sapê no sentido Madureira/Bento Ribeiro! Atrás vinham dois carros.
Um deles, um chevete, “fechou” o fusca e o motorista teve que subir a calçada em frente a mim, mas do outro lado. Um Monza o cercou pela frente, parou e, dos dois carros perseguidores, desceram uns oito sujeitos armados que abriram fogo pra cima do fusca e eu fiquei olhando atônito, principalmente porque eu conhecia uns daqueles atiradores e eles também me reconheceram. Tanto que um deles veio em minha direção com a arma ainda fumegando e perguntou se eu tinha visto alguma coisa!
Com o maior medo que sentira até ali, apenas sacudi a cabeça num sinal de que não tinha visto nada e ele me mandou voltar pra casa!
Trêmulo, peguei meu quepe, pois estava fardado, e minha mochila e fui para casa, certo de que eles me matariam também, mas me deixaram ir.
Em casa me perguntaram por que desisti de trabalhar e se eu tinha ouvido aqueles barulhos. Não consegui esboçar uma palavra, tirei a farda rapidamente e fui para a cama!
Horas depois havia um comentário geral e me perguntaram se eu não tinha visto, pois saíra no mesmo horário.
Eu estava morrendo de medo! Era só um garoto assustado!
À noite me convenceram de ir lá ver e, para pararem de me incomodar eu fui.
Lá estava um casal de Mestre Sala e a Porta bandeira da Escola de Samba Império Serrano!
Ela estava grávida e a barriga estava bem visível! Nem dava para contar a quantidade de tiros que aqueles dois levaram!
Por azar, o repórter fotográfico do Jornal O Globo tirou uma foto naquele momento e eu fiquei desesperado ao me ver, no dia seguinte, na primeira página ao lado do carro metralhado...
Mas os pistoleiros nunca me incomodaram. E eu os via muitas vezes por ali...
Nesse Carnaval, o Carnavalesco da Escola de Samba “Paraíso do Tuiuti”, Jack Vasconcelos, colocou a vida em risco, mas lavou a alma dos brasileiros que não são hipócritas e reconhecem que a turminha manipulada da camiseta da CBF (vergonha internacional, conhecida por ser a maior corrupta entre todas as Confederações do futebol mundial) ajudou a destruir o país!
Eu nem gosto desse negócio de Escolas de Samba, mas tenho muito a agradecer a esse sujeito que demonstrou muita coragem!
A mesma coragem que só a Esquerda demonstrou nas ruas contra as privatizações da Vale e de tantas outras pertencentes ao povo brasileiro; só os “pão com mortadela” vão protestar de verdade e não ficam dando “rolezinho”, fazendo “topless”, enchendo a cara nos bares “vips” e batendo panela na segurança do lar para, quem sabe, passar na Globo no dia seguinte!
Esses que usam a farda da CBF ainda têm a coragem de espernear como se não fossem os culpados e em quem se respaldou a corja de Brasília para destruir a Democracia da República Federativa do Brasil!
Valeu Jack Vasconcelos!

Ronaldo Rhusso 

sábado, 27 de janeiro de 2018

A Setúbal...

Querida...
Sou teu por tudo, pelo tempo e espaço...
E, assim, a sina é sempre a que sorri...
Sou todo o tempo insano e sossegado
em louca mutação de amor infindo.
Sou nobre, alguém me disse, e já nem creio,
pois eu me curvo sempre que preciso,
a fim de me aninhar em teu abraço
e digo que sou menos do que dizem,
mas se é pra ser e ser só teu, o sou...

Quem poderá dizer, ó Poesia,
qual é o teu segredo de conquista?
A tua sedução, como se dá?
Tu pões algema branda e desejada
na mão de seres cheios de paixão
por essas aliadas, as palavras,
que mais parecem ter vontades próprias
e vão dizendo coisas do Universo...
E tu, rainha, algema-te ao poeta...

Teus feitos são tremendos, Poesia!
Bocage, a quem chamavam d’indomável,
foi um dos mais ilustres dos cativos
e servos mais fiéis desse teu reino
que descortina em letras a verdade
a fim de despertar plebeu e nobre
pro fato de que somos seres vivos
na justa caminhada de aprender
a conjugar o verbo humanidade...

Eu sei: te manifestas soberana
na música que, mãe de toda a Arte,
eleva lá pros cimos: Paraíso...
Quem pôde ouvir cantar Luísa Todi,
feliz, testemunhou pequena ave
em belo gorjear arrebatante!
Cantora para todas as centúrias...1
Querida! Eu sei que tu estavas nela
e com a tua destra a conduzias...

1 Como a definiu Antoine Reicha, em seu "Tratado da Melodia".
Em ti muitos fizeram boa Escola
sem mestres ou riqueza pra comprar
a tua essência, cara amiga minha!
Não foi assim com ele, o Calafate
que, sendo carpinteiro analfabeto,
fez as palavras serem quais imagens?
O velho Cantador setubalense
que dia e noite a ti se apegou
compondo o que chamamos Poesia...

Eu vejo a tua mão, querida minha,
na Arte de observar, documentar
os fatos para as gerações futuras
porque quem não conhece a própria origem
não tem como saber pra onde vai...
João Carlos de Almeida, o advogado,
foi firme, forte, qual forte Carvalho,
e célere em guardar bem a História,
e tu o impulsionavas, Poesia...

Rainha minha, lembras o poeta
Sebastião Artur Cardoso Gama?
A quem tu inspiraste, protetora,
a fim de pleitear por nobre Causa
da Serra da Arrábida, que mãe,
protege belas praias e o Convento...
A Carta do poeta e professor,
que foi-se jovem, deu bom resultado
contigo por guarida, Poesia...

2Uma carta sua, enviada em agosto de 1947, para várias personalidades, a pedir a defesa da Serra da Arrábida, constituiu a motivação para a criação da LPN (Liga para a Protecção da Natureza), em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa.
E por falar na bela Natureza -
aos olhos de quem vê com o cuidado
de não deixar passar cada detalhe -
a tua marca nela é indelével!
Quem nunca viu um belo pôr do Sol,
um quente amanhecer à beira mar,
as árvores floridas sob o vento,
as cãs de quem viveu e foi longevo
e não te viu, também, ó minha Dona?

Tu vês querida, como eu penso em ti?
Abrindo os olhos cedo, de manhã,
te sinto, qual olor doce no ar,
que vai se propagando ao derredor
e sem esforço fazes que eu consiga
deixar a dor de lado e labutar
num tento de fazer mundo melhor
a fim de que futuras gerações
não percam as pegadas que tu deixas...

Ao fim do dia, quando vem a noite,
meu corpo extenuado ainda te sente
e lembro com cuidado cada fato,
tentando recordar do que eu errei
pra por a minha a mente a questionar
acerca do que posso corrigir,
pois tu, minha mentora e conselheira,
qual luz que brilha mesmo em densas trevas,
cochichas: “ - Amanhã, tente outra vez”!

Nem quando o sono vem eu me desligo
da tórrida influência que tu tens
por sob esse meu eu que, sendo teu,
se deixa possuir em sonho bom
e vê repouso nesse teu regaço
que, tépido, apraz, pois me protege...
Fechando os olhos vejo-te melhor!
És como uma figura de mulher
com formas que acelera o coração...

Teus olhos me perscrutam toda a alma;
desnudam o meu ser, que te pertence,
sem medo ou traço algum de vão pudor
e deixa-se explorar completamente
sentindo a tua essência percorrer
a tez e cada parte do que sou!
Teus olhos são dois lumes de energia
que paralisa o tempo e me transporta
ao mítico Jardim de Shangri-lá!

Tu ris e vejo o Sol de muito perto...
Calor que não consome e muito apraz!
Um riso confiante e tão sincero
que dá melhor sentido à liberdade!
Teus lábios, duas fontes de carmim;
convites convincentes para o toque
que faz mexer meu corpo num tremor
capaz de sacudir o Universo,
moldando toda a vida a ti, Senhora...

A tez em ti é luz e tuas curvas
demonstram ser o termo perfeição
aquém do que tu és, do que inspiras,
pois não te prendem rótulos, modismos
ditados por tendências sazonais!
Tem muito a se apalpar teu conteúdo...
Tens seios que apontam para o céu
deveras desejáveis, ambrosia
capaz de fazer anjos salivarem...

Eu sinto as tuas mãos em minha nuca...
Carinho que não dá pra expressar!
Que puxa a mim pra mais perto de ti
dizendo bem baixinho: “- Vem provar”!
Não é convite! É ordem! Tu me tens.
Eu bebo dos teus lábios, Poesia!
Meu corpo se faz um ao corpo teu;
relâmpagos clareiam sem parar...
Ribombam mil trovões... Eis apogeu!

Assim é que engravidas quem escolhes!
E logo ao despertar sente na mente
desejo de se abrir e por pra fora
sementes que plantaste, minha amada!
Assim nascem pinturas magistrais
quais as de João Vaz e do Francisco
Augusto S. Flamengo de Setúbal
e tantos outros mestres dos pincéis!
Teus frutos são infindos, Poesia!

Não há limites para quem é teu!
Deslizas pelas mãos de quem esculpe
em barro, ferro, bronze, na madeira
ou em outra matéria que moldada
aos poucos se transforma com destreza
em formas atrativas ao olhar,
de modo que tu levas o escultor
ao nível de quem cria a perfeição
que fala sem dizer qualquer palavra!

Contigo não há belo, não há feio!
Ao menos não segundo esses padrões
que julgam sem levar em conta a Arte!
Querida minha dás razão à vida
e quem te reconhece é mais feliz!
Tem alma mais sensível; valoriza
o dom de quem faz coisas diferentes
e torna essa existência enriquecida
de cores, formas, cheiros e sabores...

O queijo de Azeitão é maravilha!
Quem come fecha os olhos e te sente
em forma de sabor indescritível
que traz à tona um forte desejar
de dar pausa no tempo para sempre!
Talvez os que produzem nem percebam
que são, ó Poesia, servos teus
fazendo acontecer, de forma rara,
a Arte de comer com mais prazer...

Não tento imaginar como seria
se tu não existisses... É impossível!
Tu és a liga que faz suportável
a vida nesse mundo, assaz, injusto.
Tu és fragrância boa de inspirar;
és paz na temerária tempestade...
Metade em mim és tu e outra metade
anseia submeter-se ao teu domínio,
juntar meu eu a ti pelo infinito...

Ronaldo Rhusso

Edgar Quintarelli...


Verdade presente...

sábado, 9 de setembro de 2017

Descanse em paz Diogo...




A gente vê nascer, crescer... Morrer? Que crueldade!
Não venham me dizer que foi a hora, pois não creio.
Cansei de sepultar os meus meninos... Chega disso!
A culpa de quem é senão das luzes desse mundo
que vão os atraindo e os delindo quais insetos?
Fracasso na Missão é conquistar mais de mil tentos
e ver o próprio sangue retornar para a mãe Terra...
Contemplo o invisível, não blasfemo, sou do Cristo,
mas essa minha carne dói e aperta forte o peito...
A vida, assaz, madrasta vai se rindo do poeta
e sabe que ele tem uma vontade indomável
de ver mundo melhor pra essa raça desumana
e não vai desistir até restar final suspiro...


Ronaldo Rhusso