quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Só ELE!

No trono do meu viver
Só reina um Ser que é mui digno,
Contudo eu nem sou condigno...
Sim, isso faz-me sofrer,
Mas sempre irei recorrer
Ao Seu bondoso socorro.
É triste, mas eu percorro
Por sendas e vales maus
E chego perto do caos!
Sem Ele é fato que morro.

Por que será que me ama
Alguém tão grande, tão terno,
Que faz Verão meu Inverno
E nada em troca reclama?
Nos meus deslizes me chama
E torna a mim novo, forro,
Pois eu “acordo” e recorro
Ao Seu perdão que não falha.
Não há qual Ele quem valha!
Sem Ele é fato que morro.


Não há amor forte assim
Capaz de se renovar
E que tem tanto p’ra dar
A quem busca ao próprio fim.
Não há qualquer bem em mim;
Do mal é que (ai!) decorro...
Pro Seu regaço eu escorro
Qual rio demais poluído
Que vai pro mar desvalido...
Sem Ele é fato que morro...

Ronaldo Rhusso

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Laudas

Porfia em torturar morna ventura
e apura o retrocesso algures posto.
O rosto, bela face, ó criatura
é pura imagem desse rei deposto...
Agosto escancarou a desventura
e a cura pr'esse sangue aguado, mosto...
Proposto suicídio, noite escura
e jura que o Torrão tomou por gosto.
Desgosto contemplar corpo caído
e tido como o mártir altaneiro.
Certeiro eu sei que foi disparo e raro!
Deparo com resquícios no anteparo.
E o caro persa sujo, camareiro?
Oh! Beiro essa mentira e eu hei sorvido...

Ronaldo Rhusso

domingo, 10 de outubro de 2010


http://img231.imageshack.us/img231/5973/e2th.jpg


Movimentos de quadris

Mulheres são profundas e inexatas
Aos olhos dos que enxergam vagamente.
Protestam como frágeis e recatas,
Mas passam seu recado fielmente.

Defendem suas causas como natas
Ness’arte de imprimir razões na mente
De quem acha essas leis normais, sensatas,
Que tratam os dois sexos diferente.

O senso periférico é notado
E buscam o apoio desejado
Olhando de soslaio os passantes.

Conseguem ser notadas e o ansiado
Desejo de mudança, o quanto antes,
Nas cores que as vestem triunfantes!


Ronaldo Rhusso
Cinzas vivas

Já deu pra ti por do sol que mui demora!
Eu quero a aurora gentil e que não mente;
Eu quero a hora febril inconsequente
Quero somente o arrebol que não devora.

Já deu pra ti lua nova que lá fora
Perscruta o quarto e invade o ser do ente;
É renitente e, embora ao tempo tente,
Se vê perdida e já sabe: vai embora!

Já deu pra ti sentimento que avassala
Que diz, que cala no fundo de minh’alma!
Já deu pra ti, já se foi de mim a calma!

Como se diz por aí teu fim é vala!
Mas sete metros não dão para enterrá-la...
És grande mala e ama-la é tenso trauma!

Ronaldo Rhusso
Dura demais!

Onde estás, ó verdade? Eu preciso saber.
Sai de mim, ó escuro! Hoje eu já te abomino.
Chega de só metade; é mister pro viver
que se quebre esse muro ou serei desatino!

Eis que em mim algo invade e nem é por querer,
pois de fato esconjuro esse mal e declino
o poder da vontade enrustida em beber
o teu âmago duro. Oh! Demais pr'um menino!

Mas não posso esconder o desejo latente.
Eu rejeito o destino, outro em quem nunca creio,
e me forço a descer lá pro fundo da fonte.

Já sem ar desafino e a verdade é torrente
a, letal, me envolver e na cara o permeio
é de tirar o tino. Ai, volta pro horizonte...

Ronaldo Rhusso