domingo, 10 de outubro de 2010

Cinzas vivas

Já deu pra ti por do sol que mui demora!
Eu quero a aurora gentil e que não mente;
Eu quero a hora febril inconsequente
Quero somente o arrebol que não devora.

Já deu pra ti lua nova que lá fora
Perscruta o quarto e invade o ser do ente;
É renitente e, embora ao tempo tente,
Se vê perdida e já sabe: vai embora!

Já deu pra ti sentimento que avassala
Que diz, que cala no fundo de minh’alma!
Já deu pra ti, já se foi de mim a calma!

Como se diz por aí teu fim é vala!
Mas sete metros não dão para enterrá-la...
És grande mala e ama-la é tenso trauma!

Ronaldo Rhusso

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